quarta-feira, 11 de julho de 2007

Artigo que escrevi

O Papel da Ergonomia na Prevenção de Lesões Músculo-Esqueléticas
As lesões músculo-esqueléticas relacionadas como trabalho (LMELT) são patologias a nível do aparelho músculo-esquelético cuja origem está cada vez mais relacionada com factores de risco laborais. Os membros superiores e a coluna vertebral são os segmentos corporais mais afectados por estas patologias.

Como consequências directas das LMELT surgem a dor e as alterações funcionais (redução da amplitude e velocidade dos movimentos); como consequências indirectas surge a perturbação ao nível da qualidade de vida e da produtividade, podendo levar, em casos extremos, à incapacidade do indivíduo. Estas consequências comportam custos, quer para o indivíduo, que, além de poder ficar incapacitado de trabalhar, também sente as mesmas limitações funcionais na sua vida fora do trabalho, quer para a empresa, devido aos encargos financeiros inerentes ao absentismo e à baixa de produtividade.

As LMELT têm já um quadro clínico bem definido, e, aspectos como a elevada repetitividade de movimentos, a solicitação permanente dos mesmos grupos articulares, o posicionamento do operador em relação ao seu posto de trabalho, as posturas adoptadas e a força aplicada constituem os principais factores de risco para o seu aparecimento.

Estes aspectos dependem das características da actividade e do posto de trabalho em que essa actividade é desenvolvida, e, conhecer os factores que dão origem a estas patologias, é um passo importante para encontrar medidas de prevenção. Já em 1996, a NIOSH (National Institute of Occupational Safety and Health) publicou um relatório em que afirmava que a probabilidade de ocorrência de lesões músculo-esqueléticas é tanto maior quanto maior for o desequilíbrio entre as solicitações da tarefa e as capacidades funcionais do indivíduo. O estado fisiológico e psicológico, a idade, o género sexual e os antecedentes pessoais, são alguns factores que podem estar na base do desequilíbrio existente.

Neste contexto a Ergonomia assume um papel cada vez mais importante. Definindo este conceito de forma simples falamos em adaptar o trabalho e as condições em que é realizado ao Homem, ao operador humano. A Análise Ergonómica permite, através do conhecimento sobre o Homem e sobre os sistemas, identificar os factores de risco e estudar soluções de concepção e/ou organização do trabalho adequadas para cada situação específica.

A especificidade da ergonomia em relação a outras ciências do trabalho prende-se com o seu objecto de intervenção – a Actividade de Trabalho. A Actividade de Trabalho é o conjunto das interacções entre o Homem e o seu envolvimento (objectos, ferramentas, espaço físico, organização do trabalho, etc.).

O Ergonomista utiliza uma linguagem que lhe permite comunicar com todos os intervenientes do sistema produtivo, desde a engenharia à medicina do trabalho, passando pelos recursos humanos. Este aspecto permite analisar cada situação de forma muito mais aprofundada e, consequentemente, desenvolver recomendações muito mais adaptadas a cada situação, mas o que realmente constitui uma vantagem é a sua abordagem metodológica.

A análise de um sistema de trabalho que tenha como consequências para o operador as LMELT inicia-se no conhecimento do sistema produtivo, ou seja, no levantamento do objectivo e das características do posto, das ferramentas utilizadas, da organização do trabalho, etc. Nesta etapa já é possível elaborar hipóteses que orientem a etapa seguinte – a Análise da Actividade, ou seja, a análise da reposta que o operador dá ao que lhe é pedido para fazer.

Esta segunda etapa está assente na observação do trabalhador e pretende compreender os processos mentais e físicos postos em jogo pelo trabalhador durante a sua jornada de trabalho. Mais do que identificar, caracterizar e avaliar as posturas adoptadas, trata-se de explicar os factores que se encontram na origem de cada problema. Só assim é possível eliminar os factores de risco na sua origem.

O objectivo final da Intervenção Ergonómica é a optimização das interacções existentes num sistema produtivo (entre o Homem e a “Máquina”), ou seja, rentabilizar um sistema diminuindo as consequências para o bem-estar do operador. Para atingir este objectivo há duas formas de intervenção distintas: Intervenção sobre os sistemas de trabalho, processos ou produtos, com o objectivo de os adequar às características do utilizador e ao seu modo de funcionamento, assim como à natureza das actividades em jogo, de forma a eliminar todos os factores de constrangimento, risco ou nocividade. Intervenção ao nível do operador humano através da formação, tornando-o apto para a realização das tarefas que lhe são atribuídas, e preparando-o para as transformações do trabalho decorrentes da evolução tecnológica.

Seja qual for o nível da intervenção, o resultado será uma minimização do desequilíbrio existente entre as condições de trabalho e as características e capacidades do indivíduo e, consequentemente, uma diminuição do risco de LMELT.

A prevenção de lesões músculo-esqueléticas é hoje possível através da adopção de boas práticas que já demonstraram ter resultados, como por exemplo a redução da repetitividade, implementação de planos de rotatividade, automatização de processos de trabalho particularmente penosos, substituição e/ou manutenção de ferramentas de trabalho, diminuição do trabalho em posturas estáticas, etc.

Contudo, a Ergonomia consegue ir mais longe, elaborando para cada situação um diagnóstico preciso acerca dos factores de risco que se encontram presentes, e um conjunto de recomendações específicas, tendo em vista a sua eliminação.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Porque é que a Ergonomia ainda não é reconhecida pelas empresas como sendo uma mais valia?

Todas as semanas passo algum tempo no computador a mandar CV's e cartas de apresentação para empresas. Por mais que me esforce por expor as vantagens da ergonomia de forma simples e directa, sinto sempre que as pessoas que recebem vão continuar sem perceber o que estou a tentar dizer.
E isto acontece porque não têm exemplos de como funciona a ergonomia, não têm um mapa mental que lhes indique se é ou não vantajoso.
(E eu ainda não sei falar sob a forma de números…)
Tenho a certeza absoluta de que se tivesse uma empresa, a recepção das minhas investidas seria diferente! Porque deixava de ser mais uma jovem licenciada à procura de trabalho, e passava a ser um organismo com uma proposta para oferecer...

Será que isso faria a diferença?!