Uma das minhas actividades profissionais é a formação. Ao longo dos dois últimos anos tenho dado formação em cursos profissionais (especialmente em cursos de Técnicos de Higiene e Segurança do Trabalho) de nível 3, 4 e 5.
Não é fácil encontrar uma empresa que esteja decidida a apostar na Ergonomia e a formação é para muitos Ergonomistas uma opção de trabalho.
Uma das empresas para a qual trabalho é o IEFP. E é sobre esta instituição que me apetece falar hoje!
É uma empresa do Estado. Presta um grande serviço à comunidade, sem qualquer dúvida! Mas nunca vi nada tão rígido, complicado e inflexível como esta instituição.
Não é fácil encontrar uma empresa que esteja decidida a apostar na Ergonomia e a formação é para muitos Ergonomistas uma opção de trabalho.
Uma das empresas para a qual trabalho é o IEFP. E é sobre esta instituição que me apetece falar hoje!
É uma empresa do Estado. Presta um grande serviço à comunidade, sem qualquer dúvida! Mas nunca vi nada tão rígido, complicado e inflexível como esta instituição.
Quem quiser colaborar com a empresa, tem que apresentar um declaração de não dívida ao Estado e à Segurança Social. É ainda obrigatório apresentar uma declaração em como temos um seguro de trabalho.
Estes documentos não são nada de especial. A não ser que não se viva na cidade onde estamos registados.
Agora, eu estou registada em Oeiras, mas vivo em Estarreja (e não interessa referir os motivos pelos quais não altero esta morada) e digo por experiência própria que tentar obter qualquer uma destas certidões sem ter que me deslocar a Lisboa pelo menos duas vezes é mentira! É realmente difícil...
É um processo simples, mas quase impossível de concretizar.... E apenas termina quando eu vou a Lisboa!
No caso da Segurança Social, eu posso em qualquer parte do País pedir a certidão em causa. Depois de pedir a certidão, a delegação a que me dirigi, envia o pedido para Oeiras (local onde me encontro registada) que finalmente o envia para o Areeiro (sede da S.S. e local onde as declarações dos trabalhadores independentes são passadas) e que depois envia a certidão para a minha morada - Oeiras.
Este processo é simples... Não tem nada de mais, a não ser centenas e centenas de pedidos, reclamações, sugestões, que as pessoas de cada delegação têm que tratar. Tentar sugerir que me enviem a declaração para outra morada já seria um vírus que destruiria todo este processo! A carta nunca mais chegava a lado nenhum!
No caso das Finanças, eu não tenho mesmo hipótese. Tenho que ir a Oeiras. Aqui, faço o pedido, que depois fica na secretária de alguém durante uma semana para depois eu ir levantar. Eu posso até tentar pedir que me enviem o documento por correio, e até escrever a morada no verso do documento, mas não leva a lado nenhum!
São muitas pessoas a atender por dia, não há memória que resista... A única dúvida que fica é porque é que eu tenho que esperar uma semana e voltar a ir a Lisboa para levantar um documento que apenas necessita de uma rubrica (de um qualquer funcionário autorizado) e de um selo branco? Consultar o estado das minhas contas não dá mais trabalho para além de um click adicional no rato!
Mas tem que ser assim, porque existem regras, regulamentos, leis, chefes de secção, inspecções, etc.
Se uma pessoa começa com dificuldades em arranjar estes documentos, nunca mais consegue! O melhor é ir mesmo a Lisboa e no próprio dia tentar a sorte! Pode ser que apareça uma senhora muito amorosa e simpática que ao ver o nosso ar de aflição misturado com revolta decida tratar pessoalmente do caso... E em menos de 5 minutos temos o documento na mão!
De volta ao IEFP.
Eu moro em Estarreja, e já me desloquei 3 vezes a Lisboa este ano tendo apenas como objectivo tentar adquirir os documentos. Na primeira tentativa, fui bem sucedida. Contudo, havia uma pequena gaf na morada que aparecia na certidão da Segurança Social e um gatafunho na declaração das Finanças (tinha sido rasurada pela funcionária que a passou!)... E assim sendo, não havia qualquer possibilidade de me aceitarem aqueles documentos. Tinha que pedir outros! Não assinei o contrato!
E assim fiz... Voltei a Lisboa! Corrigiram o documento nas Finanças no momento (o tal ar de revolta!), mas o da Segurança Social apenas fiz o pedido! E, de volta a Aveiro, estando em falta o das Segurança Social não me deixaram assinar o contrato no IEFP.
A declaração não estava em falta, eu tinha uma declaração a dizer que não tinha dívidas. Essa declaração só não tinha a morada de Lisboa, tinha a de Estarreja!
Não sei o que é importante, se o facto de eu ter ou não dívidas, ou o facto de eu morar ou não em Lisboa!
Voltei então a fazer o pedido... Esperei e voltei a fazer o pedido... Esperei e voltei a fazer o pedido...
E recebia cartas do IEFP com frequência a dizer que tinha que passar a assinar o contrato!
Voltei a fazer o pedido... Recebia cartas a dizer que o pedido tinha sido encaminhado para Lisboa...
Voltei a fazer o pedido... Até que finalmente fui a Lisboa! Tive que voltar a Lisboa porque a declaração das Finanças já estava fora de prazo! Pagamos impostos de ano a ano, mas as declarações só valem por meio ano! E custam 11 Euros!
E num só dia, com muita angústia e revolta, consegui os documentos...
Voltei ao IEFP
Fui, toda contente ao IEFP assinar os contratos, mas faltava uma prova em como tinha pago o seguro de trabalho! O recibo não chegava! Mais uma vez o ar de angústia e revolta, e lá a senhora da tesouraria me resolveu o problema ligando para a sede da seguradora a perguntar se eu paguei!
E nisto vem de lá o chefe do departamento a desbaratar, a dizer que eu nem sei as chatisses que eu lhes tenho causado! E desta vez eu fico parva...
Neste processo das declarações, devo ter gasto pelo menos uns 250 Euros (viagens, refeições), para conseguir receber 499 euros que eles me vão pagar! Sem falar no desgaste físico que implica ir a Lisboa e voltar no próprio dia ou no dia seguinte...
No final acabo por receber menos do que isso por uma formação de 20 horas que dei a pessoas com o mesmo nível de formação que eu... Não é a mesma coisa que estar a falar para crianças ou para pessoas com o 12º ano, exige muita preparação! Muitas horas para além dessas 20 horas de trabalho!
E eu é que estou a dar chatisses!
É engraçado que quando nos revoltamos eles pegam no telefone ou fax ou net, e conseguem fazer as coisas. Se são todas instituições do Estado, não haverá uma forma de conseguirem as informações de dívida ou não dívida sem obrigarem uma pessoa a passar por isto?!
Estes documentos não são nada de especial. A não ser que não se viva na cidade onde estamos registados.
Agora, eu estou registada em Oeiras, mas vivo em Estarreja (e não interessa referir os motivos pelos quais não altero esta morada) e digo por experiência própria que tentar obter qualquer uma destas certidões sem ter que me deslocar a Lisboa pelo menos duas vezes é mentira! É realmente difícil...
É um processo simples, mas quase impossível de concretizar.... E apenas termina quando eu vou a Lisboa!
No caso da Segurança Social, eu posso em qualquer parte do País pedir a certidão em causa. Depois de pedir a certidão, a delegação a que me dirigi, envia o pedido para Oeiras (local onde me encontro registada) que finalmente o envia para o Areeiro (sede da S.S. e local onde as declarações dos trabalhadores independentes são passadas) e que depois envia a certidão para a minha morada - Oeiras.
Este processo é simples... Não tem nada de mais, a não ser centenas e centenas de pedidos, reclamações, sugestões, que as pessoas de cada delegação têm que tratar. Tentar sugerir que me enviem a declaração para outra morada já seria um vírus que destruiria todo este processo! A carta nunca mais chegava a lado nenhum!
No caso das Finanças, eu não tenho mesmo hipótese. Tenho que ir a Oeiras. Aqui, faço o pedido, que depois fica na secretária de alguém durante uma semana para depois eu ir levantar. Eu posso até tentar pedir que me enviem o documento por correio, e até escrever a morada no verso do documento, mas não leva a lado nenhum!
São muitas pessoas a atender por dia, não há memória que resista... A única dúvida que fica é porque é que eu tenho que esperar uma semana e voltar a ir a Lisboa para levantar um documento que apenas necessita de uma rubrica (de um qualquer funcionário autorizado) e de um selo branco? Consultar o estado das minhas contas não dá mais trabalho para além de um click adicional no rato!
Mas tem que ser assim, porque existem regras, regulamentos, leis, chefes de secção, inspecções, etc.
Se uma pessoa começa com dificuldades em arranjar estes documentos, nunca mais consegue! O melhor é ir mesmo a Lisboa e no próprio dia tentar a sorte! Pode ser que apareça uma senhora muito amorosa e simpática que ao ver o nosso ar de aflição misturado com revolta decida tratar pessoalmente do caso... E em menos de 5 minutos temos o documento na mão!
De volta ao IEFP.
Eu moro em Estarreja, e já me desloquei 3 vezes a Lisboa este ano tendo apenas como objectivo tentar adquirir os documentos. Na primeira tentativa, fui bem sucedida. Contudo, havia uma pequena gaf na morada que aparecia na certidão da Segurança Social e um gatafunho na declaração das Finanças (tinha sido rasurada pela funcionária que a passou!)... E assim sendo, não havia qualquer possibilidade de me aceitarem aqueles documentos. Tinha que pedir outros! Não assinei o contrato!
E assim fiz... Voltei a Lisboa! Corrigiram o documento nas Finanças no momento (o tal ar de revolta!), mas o da Segurança Social apenas fiz o pedido! E, de volta a Aveiro, estando em falta o das Segurança Social não me deixaram assinar o contrato no IEFP.
A declaração não estava em falta, eu tinha uma declaração a dizer que não tinha dívidas. Essa declaração só não tinha a morada de Lisboa, tinha a de Estarreja!
Não sei o que é importante, se o facto de eu ter ou não dívidas, ou o facto de eu morar ou não em Lisboa!
Voltei então a fazer o pedido... Esperei e voltei a fazer o pedido... Esperei e voltei a fazer o pedido...
E recebia cartas do IEFP com frequência a dizer que tinha que passar a assinar o contrato!
Voltei a fazer o pedido... Recebia cartas a dizer que o pedido tinha sido encaminhado para Lisboa...
Voltei a fazer o pedido... Até que finalmente fui a Lisboa! Tive que voltar a Lisboa porque a declaração das Finanças já estava fora de prazo! Pagamos impostos de ano a ano, mas as declarações só valem por meio ano! E custam 11 Euros!
E num só dia, com muita angústia e revolta, consegui os documentos...
Voltei ao IEFP
Fui, toda contente ao IEFP assinar os contratos, mas faltava uma prova em como tinha pago o seguro de trabalho! O recibo não chegava! Mais uma vez o ar de angústia e revolta, e lá a senhora da tesouraria me resolveu o problema ligando para a sede da seguradora a perguntar se eu paguei!
E nisto vem de lá o chefe do departamento a desbaratar, a dizer que eu nem sei as chatisses que eu lhes tenho causado! E desta vez eu fico parva...
Neste processo das declarações, devo ter gasto pelo menos uns 250 Euros (viagens, refeições), para conseguir receber 499 euros que eles me vão pagar! Sem falar no desgaste físico que implica ir a Lisboa e voltar no próprio dia ou no dia seguinte...
No final acabo por receber menos do que isso por uma formação de 20 horas que dei a pessoas com o mesmo nível de formação que eu... Não é a mesma coisa que estar a falar para crianças ou para pessoas com o 12º ano, exige muita preparação! Muitas horas para além dessas 20 horas de trabalho!
E eu é que estou a dar chatisses!
É engraçado que quando nos revoltamos eles pegam no telefone ou fax ou net, e conseguem fazer as coisas. Se são todas instituições do Estado, não haverá uma forma de conseguirem as informações de dívida ou não dívida sem obrigarem uma pessoa a passar por isto?!

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